8.8.06

LITERATURA DE CORDEL

O que é literatura de Cordel?

O nome cordel vem de cordão, é assim chamada por causa do modo como são vendidos os folhetos, geralmente são vendidos em praças, mercados, centros culturais, bancas de jornais pregados em cordões. Esse tipo de literatura é feita pelo povo (popular), é uma oportunidade das pessoas divulgarem seus trabalhos. É escrita em versos, sextilhas, septilhas ou décimas, com xilogravuras, alguns até são acompanhados de sons e declamados em praça pública, tratam de assuntos variados, mas uns dos assuntos mais abordados são as lendas do folclore.


Aos poucos, a literatura de Cordel foi se tornando cada vez mais popular, chegou ao Brasil na segunda metade do século XIX, através dos portugueses e atualmente pode-se encontrar em todo o país, mas principalmente na região Nordeste (Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba e Bahia).


Um dos poetas que mais fez sucesso dentro dessa literatura foi Leandro Gomes de Barros (1865-1918). Vários autores nordestinos foram influenciados pela literatura de Cordel, dentre eles pode-se citar: João Cabral de Melo, Ariano Suassuna, José Lins do Rego e Guimarães Rosa.

A Vida de Cancão de Fogo e Seu Testamento

(...)

Como se chama você?
respondeu chamo-me Alfredo
e eu sou Cancão de Fogo
meu nome digo sem medo
tendo precisão eu nego
porque em tudo há segredo.

Quer ir comigo acompanhe-me
faço-lhe observação
não há de insultar a ninguém

e nem há de ser ladrão
ser esperto nos negócios
isso é uma obrigação.

Só furtará uma coisa
estando necessitado
se não quiserem lhe dar
tem o direito sagrado
aí se rouba até Deus
se achar ele descuidado.

Se um ladrão vir nos roubar
devemos procurar jeito

de roubar primeiro ele
porém roubá-lo direito
que depois dele roubado
todos digam: foi bem feito.

Disse o Alfredo: pois vamos
porém eu quero saber,
nós ainda tão pequenos
de que podemos viver?
disse o Cancão, ora essa
vivemos do que comer.


(...)De
Leandro Gomes de Barros (Rei da Literatura de Cordel)


A Literatura de Cordel foi levada até ao cinema, através do filme, O Auto da Compadecida, um dos grandes clássicos do cinema nacional, A Máquina, entre outros. Na TV destacaram-se o curta Morte e Vida Severina, Hoje é Dia de Maria, entre outros.

1 Comentários:

  • Muito interessante a entrevista.
    A colunista Pollyanna sempre fazendo inovações.
    Adorei!
    Sucesso!

    =P

    Por Anonymous Anônimo, às 1:06 AM  

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